A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Publicada em 08/11/2007
Foi uma transformação inevitável, pois o modo de produção artesanal (doméstica, manual e individual), desenvolvido durante muito tempo na antiguidade e no mundo feudal, não seria capaz de suprir as necessidades de um grande contingente populacional. O artesanato foi substituído pela manufatura, processo também manual, mas que se dá de forma coletiva, a partir da venda da força de trabalho do trabalhador para a burguesia e gera uma produtividade muito maior.
Diversos fatores como a melhoria da qualidade de vida da população e os avanços na medicina garantiram um contínuo crescimento populacional, de modo que a manufatura também se tornou ineficiente diante das necessidades apresentadas. No século XVIII, o surgimento da maquinofatura (utilização de máquinas no processo produtivo), deu início à Revolução Industrial.
É importante perceber que não foi essa revolução a responsável pela introdução da indústria no mundo, pois mesmo o artesanato e a manufatura compreendem modos de produção industrializada, configurada a partir da transformação da matéria-prima em bem de consumo. A novidade trazida foi o advento das máquinas e das fábricas.
O PIONEIRISMO BRITÂNICO
A Inglaterra foi a nação que desencadeou a Revolução Industrial, o que se deve a diversos fatores, como o desenvolvimento econômico mercantilista marcado pela acumulação de capital, que serviria para financiar a instalação das máquinas. Ainda o processo de Cercamento dos Campos ocorrido no século XVIII, marcado pela formação de grandes propriedades rurais bastante mecanizadas, gerou um grande número de desempregados, que, nas cidades, se tornariam a mão-de-obra assalariada abundante e barata das fábricas que se desenvolviam.
Um outro fator importante para a primazia da Inglaterra foi a Revolução Gloriosa (1688 – 1689), acordo que garantia a ascensão pacífica da burguesia ao poder em troca da manutenção dos privilégios da nobreza. A consolidação do Estado burguês foi de suma importância para a Revolução Industrial, pois este foi garantiu os maiores investimentos.
Ainda contribuíram fatores religiosos, como o Puritanismo (protestantismo inglês), que favorecia a acumulação de capitais, além de incentivar a inventividade e a produção cultural, e fatores geográficos, como a proximidade de enormes reservas de carvão, utilizado como combustível nas máquinas a vapor.
AS FASES DA REVOLUÇÃO
1ª Fase (1750 – 1860)
Marcada pelo desenvolvimento da indústria têxtil algodoeira na França (durante o governo de Napoleão Bonaparte) e na Inglaterra. Nesta fase, as primeiras máquinas manuais começaram a ser substituídas por máquinas a vapor, o que gera altas taxas de desemprego. Diante desse caos, apresentou-se o Ludismo como a primeira forma de resistência do trabalhador, de extrema importância enquanto reação à exploração, mas um tanto quanto ineficaz, pois propunha o fim do desemprego a partir da quebra das máquinas. As máquinas danificadas foram repostas pela burguesia, que introduziu máquinas até mais eficientes, o que agravou ainda mais a situação.
2ª Fase (1860 – 1945)
Foi caracterizada pela expansão das indústrias da Inglaterra para diversas nações da Europa, bem como para o Japão, Canadá e EUA. Outras atividades industriais passaram e ser desenvolvidas além da têxtil, como a automobilística, a petroquímica, etc. Esta fase ficou conhecida como “Era da Cientificidade”, em razão dos enormes avanços nas ciências e melhorias nas indústrias.
Em meados desta fase, as taxas de desemprego eram altíssimas, o que também acarretava diversas mazelas sociais. Uma nova resistência ao capital foi promovida pelos trabalhadores: o Cartismo. Esta organização pressionava os patrões, através de greves e paralisações, para que concedessem os benefícios devidos. É tida como a primeira organização sindical do mundo, trazendo diversas conquistas, como a proibição do trabalho infantil e a regulamentação do trabalho feminino.
3ª Fase (1945 – 2006)
Também conhecida como Revolução Científica e Tecnológica (RCT) ou Revolução Técnico Científica (RTC). Trouxe avanços em áreas como a micro-tecnologia, a robótica e a engenharia genética, que marcaram profundamente a sociedade e o seu modo de vida. É a fase vivida por nós atualmente, que, se por um lado mostra o conforto do progresso científico, por outro traz a dura face do desemprego e da miséria.